sexta-feira, 1 de julho de 2011

" Antes de morrer se vive, Lóri. É uma naturalidade morrer, transformar-se, transmutar-se. Nunca se inventou nada além de morrer. Como nunca se inventou um modo diferente de amor de corpo que, no entanto, é estranho e cego e no entanto cada pessoa, sem saber da outra, reinventa a cópia. Morrer deve ser um gozo natural. Depois de morrer não se vai ao paraíso, morrer é que é o paraíso."
Clarice Lispector

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Diário de bordo

Os sonhos de outrora me entristeciam, os de hoje tornam-me pensativo. Ambos demonstram a miserabilidade da minha condição humana, razão e emoção confundem-se em mim e põem o meu ânimo a flutuar. Meus pés não tocam mais o chão. Quanto amor cabe em mim? Quanto de desejo toma a minha alma? A que parte cabe o pensar? Queria conseguir responder... O fardo me é demasiado pesado...
Quanto amor cabe em mim?

terça-feira, 21 de junho de 2011

Hoje escreveria a tarde toda. A alma manchada, acidentalmente, permite-me enxergar nela várias formas. Muitas coisas perdidas, outras novas. Há sempre um modo de resgatá-las por trás das figuras informes que habitam o meu interior ou então de encontrar o novo por trás do estranho.
Estranho modo como elas aparecem...
Mais estranho como com elas lido...

sábado, 21 de maio de 2011

sábado, 19 de março de 2011

Amarga consciência

Quero voltar ao lugar onde simplesmente vivia, não era feliz nem infeliz. Um tempo em que a existência não me pesava como um fardo de corações. Momentos de pura inocência e ingenuidade levavam-me a sorrir até mesmo nas maiores desgraças. Hoje as dores escorrem nas grandes alegrias. Saudade de ouvir minha vó me chamar pra entrar e eu obedecer esbravejando, de tomar banho de chuva, de me lambuzar com sorvete e limpar a boca com a camiseta. Doces memórias que me fazem viver a infância novamente; vontade enorme de restar por lá...

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Só você não viu
Mariana na sacada
Em seu corpo a espada
Que insiste em nos punir.

Sem que haja defesa
Em sua gentil sutileza
Põe seus planos sobre a mesa
De com ele nos ferir.

Golpeado, ferido e enfeitiçado,
Tombou meu corpo fragilizado
Que, com semblante pouco usado,
Começou até sorrir.

Assim, risonho e contente,
De maneira incontinente,
Esperou, pacientemente,
A morte lhe cobrir.
Quando da janela vir o sol desaparecer
E o dia, assim, se esconder
Ter-se-á o sinal
No horizonte divinal
De que um ledo engano,
Algo fora dos planos,
Começara a acontecer.
Hoje a noite delira
Porque a sorte é sua...

Tudo está fora do lugar:
A nau sem partir,
O zangado a sorrir.
O Chico sem entreter,
De seu rosto uma lágrima escorrer.
A Lua alvorecer e eclipsar
E as estrelas sem navegar.
Hoje a noite delira
Porque ela é sua...