Há um momento na vida em que
podemos chamar de sublime. É um momento, comumente próximo do ocaso, em que nos
pomos a pensar em tudo o que nos aconteceu, na fugacidade da vida, em coisas
que fizemos ou deixamos de fazer, nas va(n)idades desnecessárias, nas delícias
e nas dores dos amores, nos arrependimentos... estes pensamentos, via de regra,
decorrem de pequenos eventos fortuitos que nos colocam novamente no tempo
perdido. Que não seja ainda o momento do fim, mas o encontro ocasional com duas
pessoas tem-me feito experimentar este estado de flutuação da alma, que se desprende
do corpo e consegue contemplar e ressignificar toda uma existência.
Palavras Esparsas
Não se espante com a vanidade do que aqui se lê. A primeira idéia era a de que o blog chamasse-se 'Despropósito'. Mas, como palavras esparsas são um tremendo despropósito, resolvi chamá-lo assim... Nada de estruturado se encontrará aqui... Apenas uma necessidade de me livrar dos meus monstros que há muito estão trancados... É isto este blog, ele tem uma utilização de foro bastante íntimo...
sexta-feira, 30 de outubro de 2015
sábado, 3 de março de 2012
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de um boçal!
Por te cruzarem, quantas mães não açoitaram,
Quantos filhos em vão nasceram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses d’outros, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Quando a alma é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Teria de ter um pouco de amor.
Deus ao mar o sangue e o inferno deu,
E por essa história nasceu Orfeu.
Queria ser poeta. Poderia fingir a dor que deveras sinto. Padeceria as duas dores, ou quem sabe mais, das quais ele tem direito: a dor sentida, a dor fingida e também a não sentida, a lida. Pelo menos em duas delas a razão se entreteria com o comboio de cordas. Mas não sou poeta, não posso fingir a dor, não entendo as poesias que leio e viro escravo do meu coração, que é uma barca que não sabe navegar...
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Houve um dia em que tudo o que nos restaria seria viver... Esse era o tempo em que o futuro era apenas um plano, algo ideal dentro de nossas mentes... Mas era ideal. A realidade teima em zombar disso, ela nos torna escravos da sua vontade... Inversamente proporcional aos sonhos é a traição do real, algo que nunca esquecemos e dificilmente conseguimos perdoar... Não perdoo a realidade por isso... Quero meus sonhos de volta...
sexta-feira, 1 de julho de 2011
" Antes de morrer se vive, Lóri. É uma naturalidade morrer, transformar-se, transmutar-se. Nunca se inventou nada além de morrer. Como nunca se inventou um modo diferente de amor de corpo que, no entanto, é estranho e cego e no entanto cada pessoa, sem saber da outra, reinventa a cópia. Morrer deve ser um gozo natural. Depois de morrer não se vai ao paraíso, morrer é que é o paraíso."
Clarice Lispector
Clarice Lispector
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Diário de bordo
Os sonhos de outrora me entristeciam, os de hoje tornam-me pensativo. Ambos demonstram a miserabilidade da minha condição humana, razão e emoção confundem-se em mim e põem o meu ânimo a flutuar. Meus pés não tocam mais o chão. Quanto amor cabe em mim? Quanto de desejo toma a minha alma? A que parte cabe o pensar? Queria conseguir responder... O fardo me é demasiado pesado...
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