sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Há um momento na vida em que podemos chamar de sublime. É um momento, comumente próximo do ocaso, em que nos pomos a pensar em tudo o que nos aconteceu, na fugacidade da vida, em coisas que fizemos ou deixamos de fazer, nas va(n)idades desnecessárias, nas delícias e nas dores dos amores, nos arrependimentos... estes pensamentos, via de regra, decorrem de pequenos eventos fortuitos que nos colocam novamente no tempo perdido. Que não seja ainda o momento do fim, mas o encontro ocasional com duas pessoas tem-me feito experimentar este estado de flutuação da alma, que se desprende do corpo e consegue contemplar e ressignificar toda uma existência. 

sábado, 3 de março de 2012


Ó mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de um boçal!

Por te cruzarem, quantas mães não açoitaram,

Quantos filhos em vão nasceram!



Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses d’outros, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena

Quando a alma é pequena.



Quem quer passar além do Bojador

Teria de ter um pouco de amor.

Deus ao mar o sangue e o inferno deu,

E por essa história nasceu Orfeu.
Queria ser poeta. Poderia fingir a dor que deveras sinto. Padeceria as duas dores, ou quem sabe mais, das quais ele tem direito: a dor sentida, a dor fingida e também a não sentida, a lida. Pelo menos em duas delas a razão se entreteria com o comboio de cordas. Mas não sou poeta, não posso fingir a dor, não entendo as poesias que leio e viro escravo do meu coração, que é uma barca que não sabe navegar...

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Houve um dia em que tudo o que nos restaria seria viver... Esse era o tempo em que o futuro era apenas um plano, algo ideal dentro de nossas mentes... Mas era ideal. A realidade teima em zombar disso, ela nos torna escravos da sua vontade... Inversamente proporcional aos sonhos é a traição do real, algo que nunca esquecemos e dificilmente conseguimos perdoar... Não perdoo a realidade por isso... Quero meus sonhos de volta...

sexta-feira, 1 de julho de 2011

" Antes de morrer se vive, Lóri. É uma naturalidade morrer, transformar-se, transmutar-se. Nunca se inventou nada além de morrer. Como nunca se inventou um modo diferente de amor de corpo que, no entanto, é estranho e cego e no entanto cada pessoa, sem saber da outra, reinventa a cópia. Morrer deve ser um gozo natural. Depois de morrer não se vai ao paraíso, morrer é que é o paraíso."
Clarice Lispector

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Diário de bordo

Os sonhos de outrora me entristeciam, os de hoje tornam-me pensativo. Ambos demonstram a miserabilidade da minha condição humana, razão e emoção confundem-se em mim e põem o meu ânimo a flutuar. Meus pés não tocam mais o chão. Quanto amor cabe em mim? Quanto de desejo toma a minha alma? A que parte cabe o pensar? Queria conseguir responder... O fardo me é demasiado pesado...
Quanto amor cabe em mim?