Queria ser poeta. Poderia fingir a dor que deveras sinto. Padeceria as duas dores, ou quem sabe mais, das quais ele tem direito: a dor sentida, a dor fingida e também a não sentida, a lida. Pelo menos em duas delas a razão se entreteria com o comboio de cordas. Mas não sou poeta, não posso fingir a dor, não entendo as poesias que leio e viro escravo do meu coração, que é uma barca que não sabe navegar...
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